quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O notebook ecológico


SÃO PAULO - Seu laptop ficou velho e vai para o lixo? Saiba o que acontece com ele num programa de reciclagem.

Bateria, drive de DVD, placa-mãe. Quando tudo fica obsoleto no computador, às vezes não há alternativa além de jogá-lo fora. Mas, mandar para a lixeira? Conforme aumenta a popularidade dos laptops, cresce também a preocupação de seu impacto no volume de lixo eletrônico. Um estudo da consultoria IDC apontou que a compra de laptops já ultrapassou a de desktops no Brasil. Por isso decidimos acompanhar o início do processo de reciclagem de um notebook no Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática da Universidade de São Paulo (Cedir-USP), que faz a triagem e a desmontagem dos aparelhos, para enviar os componentes aos recicladores.

Quando os notebooks chegam ao Cedir-USP ainda não são necessariamente lixo. Primeiro passam por um teste. Caso ainda possam ser reaproveitados, são destinados a organizações não governamentais, para uso educativo. Caso contrário, são encaminhados a um processo de desmontagem. No exemplo que acompanhamos, de um notebook Pavilion ze2000, que a HP lançou em 2005, foram necessários 30 minutos. Esse tempo pode ser menor, dependendo da complexidade do laptop e da experiência do técnico. Nos mais antigos, há peças plásticas soldadas às metálicas. Além disso, várias empresas usam parafusos próprios, que exigem chaves especiais. Depois de separado, o material é dividido em lotes e encaminhado a ONGs especializadas, que fazem a reciclagem.

O volume de notebooks vem aumentando, mas ainda não é muito representativo. O Centro de Recondicionamento de Computadores Oxigênio, em Guarulhos, na Grande São Paulo, recebeu 149 notebooks para reparo e reciclagem em 2009, frente a 2 500 desktops. “O número é baixo, pois o crescimento de venda dos notebooks é recente. Mas em um período de três anos devem começar a chegar mais”, afirma Rita de Cássia Marques, coordenadora do centro. Para ela, a tendência é de que a vida útil dos equipamentos seja reduzida, o que implica maior descarte. Segundo Ronylson Freitas, gerente de resíduos da Reciclo Metais, parceira do Cedir-USP, 98% de um notebook podem ser reaproveitados na reciclagem. Os 2% restantes se perdem no processo, mas não chegam a poluir o ambiente se forem tratados.

Se não tiverem o destino das recicladoras, os notebooks podem contaminar o solo, o ar e a água, principalmente se forem misturados ao lixo comum e descartados em aterros sanitários. A reciclagem dos materiais eletrônicos também requer cuidados e não pode ser feita por qualquer pessoa. As empresas precisam de tecnologia de isolamento e neutralização de resíduos, pois há materiais altamente prejudiciais à saúde. Durante o derretimento de metais, para separá-los de uma placa, substâncias como os retardantes de chamas se desprendem e atingem o corpo humano. As possíveis consequências vão de problemas neurológicos ao câncer.


Fonte: http://info.abril.com.br/noticias/tecnologias-verdes/o-notebook-ecologico-09092010-17.shl

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