quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A ação do homem e o aquecimento global


(Quando o assunto é a temperatura do planeta, os pesquisadores estão como a Terra: empolvorosa. Não há consenso para explicar os últimos fenômentos meteorológicos ocorridos no mundo. Mas de uma coisa se tem certeza: trata-se de um processo sem volta e a ação humana já ultrapassou em muito o limite do aceitável)


Apesar da previsão do calendário maia de que o mundo como conhecemos vai acabar em 21 de dezembro de 2012, o mais provável é que não ocorra nada do que mostra o filme 2012, lançado em novembro do ano passado. Na trama dirigida por Roland Emmerich, o personagem do ator John Cusak luta para salvar sua família, enquanto o planeta se parte ao meio. Cenários catastróficos volta e meia ganham destaque no cinema e na imprensa, porém a maioria dos pesquisadores (físicos, astrônomos e meteorologistas, entre outros) não assina embaixo de teorias apocalípticas como essa.

É fato que o planeta Terra está passando por mudanças ambientais importantes. O marco inicial desse processo é a Revolução Industrial, que data do século 19. Foi nessa época que as fábricas começaram a demandar mais recursos naturais para produzir bens de consumo. O principal impacto da crescente atividade fabril - em vigor até hoje - foi o aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera (veja o infográfico), especialmente do dióxido de carbono (CO2) produzido na queima de combustíveis, como o óleo diesel e a gasolina. Não por acaso, o último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), de 2007, aponta o dióxido de carbono como um dos principais vilões do aquecimento global e recomenda que as emissões sejam reduzidas à metade. Para o órgão, a maior autoridade no tema, há 90% de chance de o aquecimento do planeta ser provocado pelo acúmulo desse gás na atmosfera.

Segundo o meteorologista e pesquisador Marcos Sanches, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de Cachoeira Paulista, a 230 quilômetros de São Paulo, a concentração de CO2 aumentou 37% entre 1750 e 2007 (saltou de 280 ppm - partes por milhão - para 383 ppm). "Isso faz com que o efeito estufa, se intensifique e provoque o aumento da temperatura média no planeta", diz. Previsões do IPCC indicam que a média da temperatura mundial subirá entre 1,8 e 4 °C até 2100. Nos últimos 100 anos, a elevação foi de aproximadamente 0,7 °C (em 2005, a temperatura média planetária ficou em 14,65°C). Uma alteração de 2 °C já seria suficiente para acelerar o derretimento do gelo que recobre a Antártida e a cordilheira dos Andes. "O gelo que está sobre a terra firme, como no polo Sul, não faz parte do volume de água dos oceanos. Por isso, ao derreter, ele contribui para elevar o nível das águas, ameaçando cidades costeiras e ilhas", diz Marcos Sanches. "Bem diferente da geleira que forma o polo Norte, que funciona como cubos de gelo num copo d’água. Ao derreter, ela não aumenta o volume de água." O pior dos cenários projetados pelo IPCC prevê uma elevação de 6,4 °C na temperatura, o que elevaria os níveis oceânicos em 59 centímetros.

Alguns especialistas acreditam que a progressiva fusão de gelo no polo Norte vai causar outro tipo de impacto: o enfraquecimento da corrente oceânica termohalina, que leva as águas quentes da região equatorial para as águas frias do norte do oceano Atlântico, e vice-versa. A termohalina funciona como um regulador de temperatura da Terra.

Um estudo recente do norte-americano Josh Willis, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, na Califórnia, Estados Unidos, entretanto, defende que a circulação de águas continua tão intensa como antes, com a diferença de que hoje há um volume maior sendo transportado, pois as do Atlântico estão mais quentes.


Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/geografia/pratica-pedagogica/acao-homem-aquecimento-global-terra-temperatura-clima-586660.shtml

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